Como organizar as dívidas numa lista só
Colocar todas as dívidas no papel é o primeiro passo para decidir a ordem de quitação e parar de pagar juros à toa.
Quando as dívidas estão espalhadas, parece impossível. Uma fatura aqui, um empréstimo ali, uma compra parcelada que você nem lembrava. A sensação é de estar sempre apagando incêndio. No papel, as dívidas viram outra coisa: um plano, com começo, meio e fim.
Este é o primeiro passo, e talvez o mais importante. Não dá para resolver o que você não enxerga.
Por que listar muda tudo
Muitas pessoas evitam olhar as dívidas porque dá medo ou vergonha. É normal. Mas, quando os números estão na sua frente, três coisas acontecem: você descobre o valor real (às vezes é menor do que parecia), vê quais dívidas custam mais caro e consegue decidir por onde começar.
Ter dívida não é sinal de fracasso. Acontece com muita gente, por muitos motivos. O que muda a história é ter um plano.
Liste tudo
Pegue papel, planilha ou o caderno do Planner e anote, para cada dívida:
- Com quem é: banco, loja, financeira, cartão, pessoa.
- Valor total que falta pagar: não só a parcela.
- Valor da parcela e quantas parcelas faltam.
- Taxa de juros ao mês: está no contrato, na fatura ou no aplicativo. Se não encontrar, pergunte ao credor.
- Se está em dia ou atrasada.
Inclua tudo: cartão de crédito, cheque especial, empréstimos, financiamentos, carnês de loja e dívidas com amigos e família. Uma dica útil: o Registrato, do Banco Central, mostra gratuitamente os empréstimos e financiamentos registrados no seu CPF. Ajuda a não esquecer nada.
Entenda quanto cada dívida custa
O valor total assusta, mas quem decide a ordem é a taxa de juros. Ela mostra quanto cada dívida cresce todo mês.
Ao comparar propostas de negociação ou de crédito, olhe também o CET (Custo Efetivo Total). Ele junta juros, tarifas, seguros e impostos, e mostra o custo real da operação.
Escolha a ordem
Existem dois caminhos bem conhecidos. Os dois funcionam; o melhor é o que você consegue seguir.
- Maior juro primeiro (método avalanche): você paga o mínimo de todas e coloca todo o dinheiro extra na dívida mais cara. Em geral, é o que mais economiza em juros.
- Menor valor primeiro (método bola de neve): você quita antes a dívida menor, mesmo que não seja a mais cara. A vitória rápida dá motivação para continuar.
Quando uma dívida acaba, o valor que ia para ela passa para a próxima da lista. É assim que o plano ganha velocidade.
Negocie com calma
Com a lista pronta, você sabe exatamente o que pode oferecer. Algumas orientações:
- Converse direto com o credor, pelos canais oficiais: aplicativo, site, telefone da central ou agência.
- Proponha uma parcela que caiba no orçamento. Acordo que não cabe vira nova dívida atrasada.
- Peça tudo por escrito: valor total, número de parcelas, juros, CET e datas.
- Desconfie de prazos curtos demais para decidir. Uma boa proposta continua boa no dia seguinte.
Se a negociação direta não avançar, o consumidor.gov.br é um canal público e gratuito para registrar a sua situação e conversar com a empresa.
Cuidado com golpes
Desconfie de quem cobra adiantado para "limpar o seu nome" ou promete acabar com a dívida sem pagar. Nunca passe senhas nem códigos recebidos por mensagem. Ninguém de verdade precisa deles para negociar com você.
Erros comuns
- Pegar um empréstimo novo sem plano para pagar os antigos. Só faz sentido se o custo total for menor e se você parar de criar dívidas novas.
- Pagar só o mínimo do cartão por muitos meses. É uma das formas mais caras de crédito.
- Fechar acordo que não cabe no bolso.
- Esquecer da reserva. Mesmo quitando dívidas, guardar um pouco ajuda a não voltar para o vermelho no próximo imprevisto.
Próximo passo
Reserve uma hora nesta semana e faça a sua lista. Depois, escolha o método que combina com você e defina quanto dá para destinar às dívidas todo mês, a partir do seu orçamento do mês.
Conteúdo educativo. Não é recomendação individual de investimento, produto ou instituição, nem promessa de resultado. Para decisões específicas, considere a sua situação e, se precisar, procure orientação profissional.
Juliana Tieko, CFP®
Educadora financeira com mais de 20 anos de mercado financeiro. Na Finanças UP, transforma conceitos de finanças pessoais em passos simples para o dia a dia.