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Orçamento · Artigo

Orçamento do mês em 4 passos

Um jeito simples de montar o orçamento: anotar o que entra, separar os gastos fixos, dar um limite aos variáveis e ver o que sobrou.

Por Juliana Tieko, CFP® · · 4 min de leitura

Orçamento não é cortar tudo nem viver de planilha. É decidir, antes do mês começar, para onde o seu dinheiro vai. Quando você decide antes, o dinheiro para de "sumir" e começa a trabalhar para os seus objetivos.

Se você já tentou e desistiu, tudo bem. A maioria das pessoas desiste porque começa complicado demais. Aqui a ideia é o contrário: quatro passos simples, que cabem em meia hora no começo do mês.

Antes de começar: olhe para trás

Pegue o extrato da conta e a fatura do cartão dos últimos dois ou três meses. Não é para se julgar, é para conhecer os seus números. Muita gente se surpreende com o quanto vai para delivery, aplicativos de transporte ou pequenas compras que parecem não pesar.

Com essa foto na mão, os quatro passos ficam bem mais fáceis.

1. Anote o que entra

Some tudo o que você recebe no mês: salário, renda extra, pensão, aluguel que recebe, bicos. Use o valor líquido, ou seja, o que cai de fato na conta, depois dos descontos.

Se a sua renda varia, como acontece com autônomos e comissionados, use como base o valor de um mês mais fraco. Quando o mês for melhor, a diferença vai para a reserva ou para as metas.

2. Separe os gastos fixos

São os gastos que se repetem todo mês com valor parecido: aluguel ou financiamento, condomínio, luz, água, internet, telefone, escola, plano de saúde, parcelas e assinaturas.

Aqui entra um detalhe que pega muita gente de surpresa: os gastos anuais, como IPVA, IPTU, material escolar, seguro do carro e presentes de fim de ano. Some tudo o que você paga uma vez por ano e divida por 12. Esse valor vira um gasto fixo mensal, guardado para quando a conta chegar.

3. Dê um limite aos variáveis

Variáveis são os gastos que mudam de um mês para o outro: mercado, farmácia, transporte, lazer, restaurante, delivery, roupas.

Para cada um, defina um teto com base no que você viu nos meses anteriores. Não precisa ser apertado demais: um limite irreal dura uma semana. Depois, acompanhe durante o mês. Pode ser no papel, numa planilha ou num aplicativo. O melhor método é aquele que você consegue manter.

Uma dica que funciona: olhe os gastos uma vez por semana, sempre no mesmo dia. Dez minutos de domingo evitam a surpresa do fim do mês.

4. Veja o que sobrou e dê um destino

O que sobra não é "dinheiro livre": ele tem destino. Os três destinos mais comuns são:

  • Reserva de emergência, se você ainda não tem;
  • Quitar dívidas, principalmente as de juros mais altos;
  • Metas, como viagem, curso, troca do carro ou entrada de um imóvel.

E se não sobrar nada, ou se faltar? Não é motivo para culpa, é informação. Volte aos variáveis e veja onde dá para ajustar. Se mesmo assim não fechar, olhe os fixos: um plano de celular, uma assinatura esquecida ou uma tarifa podem ser renegociados.

Uma referência para começar

Se você gosta de ter uma proporção como ponto de partida, uma divisão bastante conhecida é:

  • até 50% da renda para os gastos essenciais;
  • até 30% para o estilo de vida (lazer, desejos);
  • pelo menos 20% para o futuro (reserva, dívidas, metas).

Nem todo mundo consegue chegar nessa proporção logo de início, e está tudo bem. Ela serve de bússola, não de régua.

Erros comuns

  • Querer controlar centavo por centavo desde o primeiro dia. Comece pelas categorias grandes.
  • Esquecer os gastos anuais. Eles aparecem todo ano e desequilibram o mês.
  • Deixar o que sobra parado na conta. Dinheiro sem destino costuma ser gasto.
  • Desistir no primeiro mês que não fecha. Orçamento é ajuste, mês a mês.

Próximo passo

Separe meia hora no começo do próximo mês e faça os quatro passos. Se ainda não tem reserva, use a calculadora da reserva de emergência para saber quanto guardar.

Conteúdo educativo. Não é recomendação individual de investimento, produto ou instituição, nem promessa de resultado. Para decisões específicas, considere a sua situação e, se precisar, procure orientação profissional.

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Juliana Tieko, CFP®
Educadora financeira com mais de 20 anos de mercado financeiro. Na Finanças UP, transforma conceitos de finanças pessoais em passos simples para o dia a dia.

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