Quanto gastar com presentes de Natal: como definir o seu teto
Quanto gastar com presentes de Natal sem comprometer janeiro: como definir o teto, montar a lista com valor por pessoa, ajustar quando não cabe, parcelar com cuidado e uma calculadora para a sua lista.

Todo ano é parecido. Os presentes vão sendo comprados aos poucos, um aqui, outro ali, cada um parece caber. Aí chega janeiro, a fatura abre e a soma assusta.
Se você já passou por isso, a pergunta "quanto gastar com presentes de Natal?" faz todo sentido. A resposta curta é: o valor que cabe no seu orçamento, decidido antes da primeira compra. Neste artigo, você vai ver como chegar a esse número, como montar uma lista com valor por pessoa, o que fazer quando ela não cabe e uma calculadora para testar a sua lista.
Não existe valor certo, existe o valor que cabe
Não há uma tabela que diga quanto cada pessoa deve gastar com presentes. Uma família com renda de R$ 3.000 e outra com renda de R$ 15.000 vivem dezembros muito diferentes, e as duas podem ter um Natal bonito.
O que existe é uma ordem que protege o seu bolso:
- Primeiro, o que já tem dono: as contas do mês, as dívidas e as contas de janeiro (IPVA, IPTU, matrícula, material escolar).
- Depois, o teto das festas: quanto sobra para presentes, ceia, roupas e confraternizações.
- Só então, a lista de presentes, dentro desse teto.
Quando a ordem se inverte, os presentes chegam antes das contas, e quem paga a diferença é o cartão de crédito em janeiro.
Passo 1: descubra quanto você pode gastar
Para saber o seu teto, olhe para o dinheiro que entra em novembro e dezembro e tire dele o que já está comprometido.
- Se você recebe 13º salário, ele costuma ser a principal fonte. Mas ele não é só dos presentes. Antes, separe a parte das dívidas caras, da reserva e das contas de começo de ano. O passo a passo está em como usar o 13º salário.
- Se você não recebe 13º, faça a mesma conta com o que sobra no mês, depois das contas fixas, do mercado e do que você guarda.
- Não conte a reserva de emergência. Ela existe para imprevistos, e Natal não é imprevisto: ele tem data marcada. Se você ainda está montando a sua, veja como montar a reserva de emergência.
Lembre também que os presentes são só uma parte das festas. Ceia de Natal, Ano-Novo, roupas, decoração, confraternizações e lembranças entram na mesma conta. Um bom exercício é somar o que tudo isso custou no ano passado, olhando os extratos de dezembro. O número costuma ser maior do que o palpite.
Passo 2: monte a lista de presentes com teto por pessoa
Com o teto definido, faça a lista. Ela tem três colunas: quem, o quê e até quanto. Isso resolve três problemas de uma vez:
- Ninguém fica de fora. O presente esquecido costuma ser comprado na véspera, pelo preço que estiver.
- O valor é decidido em casa. Na loja, você procura um presente de até R$ 60, e não "alguma coisa para o afilhado".
- A soma aparece antes. Se o total passa do teto, você ajusta no papel, e não no caixa.
Veja o exemplo da Paula, uma pessoa hipotética. O teto de presentes dela é de R$ 600. No primeiro rascunho, ela escreveu o que gostaria de gastar com cada um:
| Para quem | Pessoas | Rascunho por pessoa | Teto por pessoa | Total com teto |
|---|---|---|---|---|
| Filhos | 2 | R$ 150 | R$ 100 | R$ 200 |
| Pais e sogros | 4 | R$ 80 | R$ 50 | R$ 200 |
| Afilhado | 1 | R$ 80 | R$ 60 | R$ 60 |
| Amigo secreto do trabalho | 1 | R$ 50 | R$ 50 | R$ 50 |
| Professoras e lembranças | 3 | R$ 30 | R$ 20 | R$ 60 |
| Total | 11 | R$ 840 | R$ 570 |
O rascunho somava R$ 840, R$ 240 acima do teto. Com um valor por pessoa, a mesma lista, com as mesmas 11 pessoas, fechou em R$ 570, e ainda sobraram R$ 30 de folga para um imprevisto, como um presente esquecido.
Passava R$ 240 do teto.
Cabe no teto, com R$ 30 de folga.
Repare que ninguém saiu da lista. A diferença veio de decidir o valor antes, e não de cortar pessoas.
Quando a soma passa do teto
Se a sua lista não coube, existem alguns ajustes que costumam funcionar, sem tirar ninguém do Natal:
- Baixe o teto por pessoa. Às vezes, R$ 10 ou R$ 20 a menos em cada presente já resolvem a conta.
- Proponha um amigo secreto na família. Em vez de um presente para cada pessoa, cada um compra um. Combine um valor único, que caiba no bolso de quem ganha menos, e uma lista de sugestões.
- Divida um presente maior. Irmãos podem se juntar para dar um presente aos pais, por exemplo.
- Dê tempo ou talento. Uma receita de família num pote, um álbum de fotos, uma tarde juntos. Presente bom não é sinônimo de presente caro.
- Combine "só para as crianças". Muitas famílias decidem que os adultos não trocam presentes, e ninguém fica constrangido quando a regra é para todos.
Esses combinados ficam mais fáceis quando são feitos cedo, em novembro, e não na véspera.
Calculadora: o teto dos seus presentes
Agora é a sua vez. Coloque o seu teto e, em cada grupo, quantas pessoas e até quanto você quer gastar com cada uma. A calculadora mostra se a lista cabe e, se não couber, qual seria a média por pessoa para caber:
O teto dos seus presentes
Digite o seu teto para presentes e, em cada grupo, quantas pessoas e até quanto quer gastar com cada uma. Os números em cinza são o exemplo da Paula: troque pelos seus. Nada é salvo nem enviado: a conta é feita aqui, no seu aparelho.
No exemplo: 11 pessoas, lista de R$ 570 e teto de R$ 600. Sobra uma folga de R$ 30. Troque pelos seus números.
Parcelar presentes: cuidado com janeiro
Parcelar pode ajudar, desde que você saiba onde as parcelas vão cair. O problema é que, em dezembro, cada compra parcelada parece pequena, e a soma só aparece nos meses seguintes.
Antes de parcelar, faça duas perguntas:
- As parcelas novas, somadas às que eu já pago, cabem nos próximos meses?
- Eu teria esse dinheiro à vista? Se a resposta for não, talvez o presente esteja acima do seu teto.
E nunca deixe a fatura de janeiro no rotativo do cartão. Os juros do rotativo costumam ser muito mais altos do que qualquer desconto de fim de ano.
Ofertas de fim de ano: como não cair na pressa
Novembro e dezembro são cheios de promoções, e elas podem ajudar a lista a render. Desde que a lista venha antes da oferta.
- Anote em novembro o preço dos presentes mais caros. Assim você sabe se o desconto anunciado é de verdade.
- Compre o que está na lista. Viu algo fora dela? Espere um dia antes de decidir. É a versão rápida da regra dos 7 dias.
- Acima do teto por pessoa, não é oferta para você, por maior que seja o desconto.
Se a Black Friday estiver no seu caminho, vale ler como aproveitar a Black Friday sem cair na compra por impulso: ela é um bom momento para comprar os presentes da lista, com preço máximo definido.
Trocas: o que vale saber antes de comprar
Presente nem sempre serve. Conhecer as regras evita dor de cabeça:
- Na loja física, a loja não é obrigada a trocar um produto sem defeito só porque o tamanho ou a cor não agradou. Muitas trocam por política própria. Pergunte o prazo e as condições antes de pagar e peça a etiqueta de troca.
- Nas compras pela internet ou por telefone, o Código de Defesa do Consumidor, artigo 49 (abre em nova aba), garante 7 dias para desistir, contados do recebimento.
- Produto com defeito tem regras próprias: pelo artigo 26 do mesmo código, o prazo para reclamar é de 30 dias para produtos não duráveis e de 90 dias para os duráveis. Guarde a nota fiscal.
Erros comuns com os presentes de Natal
- Comprar sem lista. Cada compra parece caber, mas ninguém está somando.
- Usar o 13º antes de ele chegar. Parcelar presentes "porque o 13º vem aí" faz o dinheiro chegar já comprometido.
- Esquecer os presentes "pequenos". Amigo secreto, lembranças para professoras e caixinhas somam bastante no fim.
- Deixar para a última semana. Com pressa, o preço importa menos, e o teto vai embora.
- Esquecer janeiro. Dezembro tem dinheiro a mais. Janeiro tem contas a mais.
Perguntas frequentes
Quanto gastar com presentes de Natal?
Não existe um valor certo para todo mundo. O caminho é separar primeiro as contas, as dívidas e as despesas de janeiro, decidir quanto sobra para as festas e, dentro disso, definir um teto para os presentes. Depois, divida esse teto entre as pessoas da lista.
Qual valor colocar no amigo secreto?
Um valor que caiba no bolso de quem tem menos folga no grupo. Assim ninguém deixa de participar por constrangimento. Combine o valor com antecedência e deixe claro que quem não puder participar não precisa se explicar.
É feio dar presente barato?
Não. Um presente pensado para a pessoa costuma marcar mais do que o preço da etiqueta. E muita gente fica mais tranquila quando o combinado é simples e igual para todos.
Posso usar o 13º para os presentes?
Pode, desde que seja uma parte planejada dele. Antes, vale separar o que vai para as dívidas caras, a reserva de emergência e as contas de começo de ano. O que sobrar pode ir para as festas, com teto.
E se este ano não der para dar presentes?
Tudo bem. Conversar com a família antes, propor um amigo secreto ou um presente coletivo e trocar presente por tempo junto são saídas comuns. Começar o ano sem dívida também é um presente, para você.
Próximo passo
Separe 15 minutos esta semana. Escreva o nome de todas as pessoas que você quer presentear, coloque um teto ao lado de cada uma e some. Se passar do seu limite, ajuste na lista, antes da primeira compra.
Se você ainda não sabe quanto pode gastar porque não sabe bem para onde vai o seu dinheiro, comece pela Semana 1 do Desafio 21 dias, que é grátis:
E, se quiser planejar dezembro e janeiro com calma, conheça o Planner 2027. Na versão Completa, ele vem com o Kit Festas de Fim de Ano como bônus: um guia, listas para marcar (presentes, ceia, Ano-Novo, contas de janeiro) e uma planilha que soma os tetos e mostra o que falta comprar.
Conteúdo educativo. Não é recomendação individual de investimento, produto ou instituição, nem promessa de resultado. Para decisões específicas, considere a sua situação e, se precisar, procure orientação profissional.
Juliana Tieko, CFP®
Educadora financeira com mais de 20 anos de mercado financeiro. Na Finanças UP, transforma conceitos de finanças pessoais em passos simples para o dia a dia.